quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Os rumos da universidade brasileira em 1985


Em abril de 1985, o presidente da Fundação João Pinheiro, ex-reitor da UFMG e futuro ministro da Cultura do Governo José Sarney, Aluísio Pimenta, falava à UFOP em uma aula inaugural intitulada “Rumos da Universidade Brasileira”. A reportagem de Regina Gaspar saiu no Jornal de Ouro Preto, no dia 4 de abril do mesmo ano e traz os pontos gerais da discussão, contando ainda com as vozes do reitor da UFOP, Fernando Antônio Borges Campos, e do professor Fernando Abecê.



O momento em que se vivia o Brasil pautava a aula, assim como o papel que a universidade deveria desempenhar socialmente como instituição humana. Discutia-se ainda o desenvolvimento da pesquisa acadêmica e da extensão e sobre a organização da instituição em relação aos seus departamentos, à sua administração e ao governo e tudo isso se relacionando com a sociedade.

Uma falta de tradição da universidade no Brasil seria o primeiro marco para notificar a inabilidade apresentada pela instituição em relação ao que a sociedade necessitava. As dificuldades da educação básica e superior foram colocadas como ponto a ser mudado. Assim como as condições monetárias que sendo irregulares influíam negativamente em toda a estrutura, no dia-a-dia e em momentos-chave.

A solução seria talvez uma maior autonomia da universidade em relação ao governo e dos departamentos em relação à universidade, com cada nível administrativo apenas convivendo com a tutela do superior.

O que se queria alcançar:

  • a sociedade – os professores, os alunos, os funcionários da instituição, a região onde se instalara o prédio da universidade.
  • A extensão e a pesquisa, as correntes tradicionalista e reformista, encaminhadas e paralelas, em direção a um maior contato entre todos envolvidos, para uma “colaboração com o desenvolvimento do ser humano”.
  • Movimentos para que a universidade assumisse seu papel criador e construtor: “[...] um povo fácil de governar, difícil de se dominar e impossível de se escravizar”.



Reportagem completa:


Quais os rumos da universidade brasileira HOJE?! 


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

1985: Ouro Preto entre homens e monumentos: a contínua disputa dos patrimônios humanos

Desde o período colonial Ouro Preto, Minas Gerais, foi região de alta aglomeração e de constante disputa entre homem e espaço físico e passou por inúmeros fins e recomeços. Seu acervo vivo arquitetônico se constituiu a partir da exploração do ouro e com o passar do tempo do minério de ferro entre outros; um solo rico por um lado, mas não por outro, mesmo a cidade tendo sido maior produtor de alho do país até 1985.

À parte, das dificuldades de se viver sobre minas e distante de grandes plantações, a cidade floresceu de grandes edifícios, igrejas, casarões, prédios públicos, que hoje são museus, ainda espaços utilizados pelo executivo, legislativo e judiciário, pelo comércio e moradia.

A cidade se expandiu em todas as direções e o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional), atualmente, tenta regular a construção e acabamento de novos imóveis e o restauro daqueles que já foram erigidos, sem considerar muitas vezes o custo para tal simulacro, deixando parte da população ainda mais distante do monumento em que se constituiu a cidade durante o século XX.

Como uma cidade considerada tão importante pelos seus monumentos e pela sua presença na história nacional é também uma cidade que lida com sua população e com suas necessidades e anseios?


O Jornal de Ouro Preto, em sua 23ª edição, aos 7 de setembro de 1985, traz as seguintes manchetes:



Em 1985, Coleta Guatimosin Vidigal, assumia a 7ª Delegacia Regional do SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Nacional), hoje IPHAN, a pedido do então Ministro de Estado da Cultura do governo de José Sarnei, Aluísio Pimenta... “Queremos nos voltar para o homem...”.




Em 1985 um diretório do PC do B se forma em Ouro Preto, organizado pelo médico Arioswaldo Fiqueiredo... “partido comunista”.


Em 1985 Ouro Preto deixa de ser o maior produtor de alho do país, mas “Ouro Preto 'não tem só barroco'”.


Em 1985 Ouro Preto sofre com as movimentações do solo da cidade... “prédios e monumentos importantes [...] correm risco”.


Em 1985 o Grande Hotel passa por reformas... “reformas expulsam lojistas”.


Em 15 de novembro de 1985, em sua 25ª edição, o Jornal de Ouro Preto traz as seguintes manchetes:


Em 1985 a zona boêmia da cidade, na Rua Xavier da Veiga, é mostrada em declínio, mas Conceição Simplício Leite, dona de duas das casas de prostituição, diz que a manutenção daquele espaço é necessária... “senão vira um comunismo”.

Em 1985, “Ouro Preto não é só cultura”, diz José Geraldo Pires, secretário de Agricultura da cidade.

Em 1985 a Secretaria de Turismo deve dar lugar a Secretaria de Cultura... que “voltará a simples condição de departamento”, diz o prefeito José Leandro Filho.

O que duas edições do Jornal de Ouro Preto, não mais em circulação, podem nos dizer sobre nosso questionamento inicial (apresentado à cima) em 1985?



Fontes:

Jornal de Ouro Preto, Ouro Preto, 7 de setembro de 1985, nº 23, ano III. 
Jornal de Ouro Preto, Ouro Preto, 15 de novembro de 1985, n 25, ano XIX 
[Os anos de publicação do jornal estão mesmo impressos III e XIX; são prováveis erros na prensa]

Esses jornais se encontram digitalizados e em seus originais no Arquivo Público Municipal de Ouro Preto (Rua Cláudio Manuel, 61 - Centro/ Ouro Preto), podendo ser acessados por todos pesquisadores interessados.

domingo, 15 de novembro de 2015

Leitmotiv

Em 21 de outubro desse ano, fui ao Arquivo Público Municipal de Ouro Preto. Não sei qual foi o número de vezes que já estive lá. Além de um lugar acolhedor aos pesquisadores, esse espaço guarda sempre novas surpresas sobre o passado da minha cidade. 

Não foi por outro motivo que foi lá que encontrei o material que utilizarei para fazer cinco postagens sobre o ano de 1985 em Ouro Preto. Esse material são as edições de 7 de setembro e 15 de novembro daquele ano, do Jornal de Ouro Preto, que não está mais em circulação. 

Essa atividade existe a partir das propostas da disciplina eletiva da graduação em História, HIS 843, no Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto, regida pelo professor Valdei Araújo. As postagens presentes nesse blog podem vir a ser espelhadas no blog da disciplina ou vir a ser base de uma mais concisa, para vê-las e acessar os trabalhos dos outros alunos integrantes da turma e seus processos de imersão acesse: