Desde o período colonial Ouro Preto, Minas Gerais, foi região de alta aglomeração e de constante disputa entre homem e espaço físico e passou por inúmeros fins e recomeços. Seu acervo vivo arquitetônico se constituiu a partir da exploração do ouro e com o passar do tempo do minério de ferro entre outros; um solo rico por um lado, mas não por outro, mesmo a cidade tendo sido maior produtor de alho do país até 1985.
À parte, das dificuldades de se viver sobre minas e distante de grandes plantações, a cidade floresceu de grandes edifícios, igrejas, casarões, prédios públicos, que hoje são museus, ainda espaços utilizados pelo executivo, legislativo e judiciário, pelo comércio e moradia.
A cidade se expandiu em todas as direções e o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional), atualmente, tenta regular a construção e acabamento de novos imóveis e o restauro daqueles que já foram erigidos, sem considerar muitas vezes o custo para tal simulacro, deixando parte da população ainda mais distante do monumento em que se constituiu a cidade durante o século XX.
Como uma cidade considerada tão importante pelos seus monumentos e pela sua presença na história nacional é também uma cidade que lida com sua população e com suas necessidades e anseios?
O Jornal de Ouro Preto, em sua 23ª edição, aos 7 de setembro de 1985, traz as seguintes manchetes:
Em 1985, Coleta Guatimosin Vidigal, assumia a 7ª Delegacia Regional do SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Nacional), hoje IPHAN, a pedido do então Ministro de Estado da Cultura do governo de José Sarnei, Aluísio Pimenta... “Queremos nos voltar para o homem...”.
Em 1985 um diretório do PC do B se forma em Ouro Preto, organizado pelo médico Arioswaldo Fiqueiredo... “partido comunista”.
Em 1985 Ouro Preto deixa de ser o maior produtor de alho do país, mas “Ouro Preto 'não tem só barroco'”.
Em 1985 Ouro Preto sofre com as movimentações do solo da cidade... “prédios e monumentos importantes [...] correm risco”.
Em 1985 o Grande Hotel passa por reformas... “reformas expulsam lojistas”.
Em 15 de novembro de 1985, em sua 25ª edição, o Jornal de Ouro Preto traz as seguintes manchetes:
Em 1985 a zona boêmia da cidade, na Rua Xavier da Veiga, é mostrada em declínio, mas Conceição Simplício Leite, dona de duas das casas de prostituição, diz que a manutenção daquele espaço é necessária... “senão vira um comunismo”.
Em 1985, “Ouro Preto não é só cultura”, diz José Geraldo Pires, secretário de Agricultura da cidade.
Em 1985 a Secretaria de Turismo deve dar lugar a Secretaria de Cultura... que “voltará a simples condição de departamento”, diz o prefeito José Leandro Filho.
O que duas edições do Jornal de Ouro Preto, não mais em circulação, podem nos dizer sobre nosso questionamento inicial (apresentado à cima) em 1985?






